
Janeiro de 1993. Dois anos depois da segunda edição do
Rock in Rio - uma das mais aclamadas e onde um icônico
Guns n' Roses reinou absoluto, o Brasil foi palco de mais um importante festival de rock. Com a apresentação de bandas que mexiam com o público brasileiro, como
Alice in Chains, L7 e
Red Hot Chili Peppers, foi a vez do
Hollywood Rock coroar um grupo-símbolo dos anos 90: o
Nirvana.
Essa banda se popularizou num momento em que o Guns já dominava há anos o cenário do rock. Em meados de 1992, os videoclipes de
Don't cry e
November rain ganharam um concorrente de peso na programação da MTV. A canção
Smells like teen spirit, do grupo capitaneado por um loiro com traços suaves, mas ao mesmo tempo agressivos, logo arrebatou fãs por todo o mundo. Com início impactante e orquestrada por solos de guitarra competindo com solos de bateria (alguém aí se lembra de um
Dave Grohl novinho, magrelo e com longos cabelos atrás desse instrumento?), logo a música ganhou status de clássico do rock.
Ícone
Eddie Vedder e um saudoso Layne Staley (ex-vocalista do Alice morto em 2002) que nos perdoem, mas Kurt Cobain - o tal loiro agressivo - mesmo com sua morte precoce há exatos 20 anos, é o mais lembrado quando falamos de grunge: gênero popularizado no início dos anos 90 e que chegou com tudo para competir, com toda pompa, com o hard rock que tanto marcou a década anterior. Por isso mesmo Kurt também é recordado por ter dividido com Axl Rose o posto de queridinho do rock naquela época áurea.
Dizem que os bons morrem jovens e alguns coincidentemente se vão no auge da carreira, aos 27 anos. Em 1994, a notícia da morte de Kurt Cobain surpreendeu o mundo. Era estranho, afinal ele e sua banda tinham contabilizado milhões de fãs brasileiros nos anos anteriores e muitos mais após o festival Hollywood Rock. O jovem tinha a promessa de uma carreira intensa pela frente; pelo menos, era o que fãs desejavam. Lembramos dele e de suas caretas. De agressividade dele. Do visual, com um mix de infalíveis tênis All Star e muito xadrez (ditando moda até hoje). Da atitude rebelde. Do olhar melancólico. Da ideia de vida louca, mas com família composta por Courtney Love e Francis Bean - um linda bebê que ganhou fama ao ficar órfã do pai tão cedo.
Legado
Kurt foi marcante para nossa geração. Arrebatou milhões de adolescentes que se encontravam nas musicas dele. Muitas mensagens eram deprimentes, mas, ao mesmo tempo, expressavam o que o muitos jovens gostariam de dizer. Após alguns meses da morte dele, lembramos com exatidão de um presente: o lançamento do
MTV Unplugged in New York - um CD valiosíssimo, atemporal, que continua reinando com versões suaves de clássicos como
Come as you are, Dumb, Polly, About a girl, All apologies, além da fantástica versão de
The man who sold the world, de
David Bowie.
Como bons fãs, tentamos entender o motivo de Kurt ter abandonado não só sua brilhante carreira junto ao Nirvana mas também sua vida. Seria a depressão que o assolava? Seriam os fantasmas que o perseguiam? Há alguns anos, vimos um filme com enredo fictício, mas que ajuda a decodificar o que se passava na cabeça dele. Chamado
Últimos dias, foi lançado em 2005 e é uma homenagem ao cantor, ou seja, não é autobiográfico. Quem tiver interesse em assisti-lo, o encontra no
You Tube.
Leituras também ajudam a tentar compreender a mensagem que o ex-vocalista do Nirvana quis passar na sua curta passagem pelo mundo. Tem alguns livros no mercado, como a biografia
Mais pesado que o céu e o recente
Kurt Cobain - a construção do mito, ambos de Charles R. Cross, defensor da ideia de que ele foi o último grande astro do rock. Explorar o videoclipes e documentários também é uma boa dica para aqueles que não o conheceram ou que simplesmente querem se lembrar da figura emblemática que ele foi. Mas já que o legado mais conhecido são suas musicas, recomendamos ouvir os três álbuns do Nirvana:
Bleach, Nevermind e
In Utero, além do já mencionado MTV Unplugged, que marcaram toda a geração dos anos 90.
Foto: Márcia Foletto, do
jornal
O Globo